terça-feira, 4 de setembro de 2007

Nossos cães verde-amarelo!

Aproveitando a semana da pátria, gostaria de divulgar as duas únicas raças de cães brasileiras reconhecidas oficialmente pelas entidades de cinofilia responsáveis (CBKC – confederação brasileira de cinofilia e FCI – federação internacional de cinofilia): o Fila Brasileiro (o mais antigo a obter status de raça internacional) e o Terrier Brasileiro (conhecido anteriormente como Fox Paulistinha e conquistou reconhecimento mais recentemente).

Seguem algumas características físicas e de temperamento destas duas raças para que vocês as conheçam um pouco melhor:

Fila Brasileiro

É um cão de porte gigante (machos devem ter 65 a 75cm de altura, pesando no mínimo 50kg e as fêmeas 60 a 70 cm de altura pesando no mínimo 40 kg), tendo poderosa ossatura, figura retangular e compacta, harmoniosa e proporcional. Apresenta, aliada a uma massa muscular, grande agilidade concentrada e facilmente perceptível. Tem expressão calma (em repouso), nobre e segura. Em atenção, sua expressão é de determinação, refletida num olhar firme e penetrante.
Quanto ao temperamento e comportamento, o Fila é dotado de coragem, determinação e valentia notáveis. Com seus donos, é dócil, obediente e extremamente tolerante com as crianças. É proverbial sua fidelidade, procurando com insistência a companhia dos donos. Caracteriza-se pela aversão a estranhos. De comportamento sereno, revelando segurança e confiança própria, absorve perfeitamente ambientes e ruídos estranhos. É fiel à guarda da propriedade, dedicando-se, também, e, por instinto, às lidas de gado e à caça de animais de grande porte.

A pelagem é formada de pêlo baixo, macio, espesso e bem assentado. Já a pele representa uma das características rácicas mais importantes: é grossa, solta em todo o corpo, principalmente no pescoço, onde se formam pronunciadas barbelas, estendendo-se, em muitos casos, pelo peito e abdome. Alguns exemplares apresentam uma dobra nas faces laterais da cabeça e, também, na cernelha, descendo até o ombro. Com o cão em repouso, a cabeça não apresenta rugas; quando excitado, na contração para erguer as orelhas, a pele do crânio forma, entre elas, pequenas rugas longitudinais.

As cores branco, cinza rato, malhado, manchetado, preto e canela, e azul não são permitidas. São permitidas todas as cores sólidas, tigradas de fundo nas cores sólidas, com rajas de pouca intensidade até os fortemente rajados, podendo ou não apresentar máscara preta. Em todas as cores permitidas, admitem-se marcações brancas nos pés, peito e ponta da cauda. Indesejáveis as manchas brancas no restante da pelagem.

Terrier Brasileiro

O antigo Fox Paulistinha é um cão de médio porte (devem pesar no máximo 10kg – machos devem ter 35 a 40cm de altura, e as fêmeas 33 a 38 cm), esbelto, bem equilibrado, com aparência firme, mas não muito pesada, corpo de aparência quadrada com que o diferencia do retilíneo Fox Terrier de pêlo liso. É incansável, amigável e gentil com amigos, mas desconfiado com estranhos.

A pele é bem ajustada, com pêlo curto, liso, fino sem ser macio, bem assentado à pele, tipo pêlo de rato. Não se pode ver a pele através do pêlo. Mais fino na cabeça, orelhas, na parte inferior do pescoço, nas partes internas e inferiores dos membros e face posterior das coxas.

Tem que ter a cor do fundo predominantemente branca com marcações pretas, azuis ou marrons; as seguintes marcações típicas e características devem estar sempre presentes: castanho acima dos olhos, em ambos os lados do focinho e na face interna e nas bordas das orelhas. Essas marcações podem se estender por outras regiões do corpo como transição entre o branco e o preto. A cabeça deve sempre apresentar marcações em preto, azul ou marrom na região frontal e orelhas; são admitidas faixas ou marcas brancas preferivelmente no sulco frontal e nas laterais do focinho, distribuídas o mais harmoniosamente possível.

Obs. A altura, nos cães, é medida do chão até a cernelha, que é a região em que acaba o pescoço e inicia-se o tronco (mais ou menos entre os dois ombros).

É uma pena que esses dois cães estão perdendo a popularidade por causa de outras raças que estão na moda; como clínico, quase não atendo essas raças (principalmente o Fila), e quando aparecem são cães totalmente fora do padrão da raça. Tenho a impressão de que o Terrier Brasileiro está começando a conquistar curiosidades novamente; acho uma raça fantástica para companhia, além de ser muito fácil de criar (é conhecido por muitos como "cão sorriso", pois quando está contente, faz um movimento com os lábios, mostrando os dentes, que se manifesta como um sorriso). Mas por um lado ambos têm seus admiradores, que não os trocam por nenhum outro cão, como é o caso de uma cliente minha já de idade, que já teve mais de cinco Terrier Brasileiro (um de cada vez). A popularidade às vezes reflete em má qualidade do plantel nacional, e com a grande demanda, vão aparecendo vários dos chamados “comerciantes de cachorros”, que fazem os cruzamentos totalmente errôneos.

Um comentário:

ten.ribeiro disse...

o comentário sobre a raça fila brasileiro foi muito bom, só faltou falar a história da raça, mas está ótimo, abração.