quarta-feira, 14 de abril de 2010

Como escolher e onde comprar filhotes de cães?

Quero escrever este post para valorizar a cinofilia (estudo e aperfeiçoamento das raças caninas) no Brasil e os criadores honestos que buscam qualidade em sua criação, mas não vou deixar de criticar os 'comerciantes de cães'. Os países que mais se destacam mundialmente pela sua cinofilia são EUA, França, Inglaterra, Alemanha, dentre outros; mas o Brasil tem uma cinofilia bem desenvolvida e de qualidade, representada por excelentes criadores de diversas raças, porém, infelizmente, falta conscientização (no sentido de receber informação) da grande maioria da população apaixonada por cães.
Precisamos deixar bem claro que criadores éticos buscam sempre, além de saúde e bem estar dos seu cães, um aprimoramento no padrão da raça, tanto em temperamento quanto em tipo físico, resultando em filhotes cada vez mais selecionados, que gradativamente reflete em melhora do plantel nacional. Padrão da raça não é 'frescura', como muitos leigos dizem, e sim sinônimo de cães saudáveis, educados (de fácil aprendizado) e livres de doenças transmitidas geneticamente. Já sobre os 'comerciantes de cães' não posso dizer o mesmo, pois essas pessoas visam apenas o lucro (dinheiro), comercializando e criando animais fora do padrão da raça, portadores de doenças congênitas (transmitidas geneticamente) e com temperamentos assustadores, como agressividade ou excesso de exitabilidade, por exemplo; se o público alvo quer cachorro micro ou de olhos azuis, por exemplo, eles vendem, mesmo que isso possa acarretar em problemas no futuro. Filhotes criados por esses comerciantes normalmente são vendidos em pet shop, feiras livres de rua ou em locais estratégicos como em saída de grandes parques, avenidas de grande movimento, praças ou grandes postos de gasolina e serviços alimentares em rodovias.
Os filhotes não podem ficar expostos ao público, como nos lugares que citei acima; eles devem permanecer no canil até a saída para a residência do futuro proprietário, pois um bom canil está dentro dos padrões de higiene assegurando a saúde dos mesmos, que também recebem vacinas e vermifugações adequadas realizadas por um veterinário responsável. A exposição em gaiolas, muitas vezes debaixo de calor e em ambientes contaminados levam à disseminação de doenças, portanto esses filhotes que estão estressados e com a imunidade baixa ficam muito susceptíveis.
Bom, acho que já passei o meu recado de hoje, portanto pensem bem antes adquirir um filhote - procurem conhecer melhor as raças para evitar surpresas no tamanho e no temperamento, por exemplo, procurem criadores renomados e de qualidade (indicação de cinófilos e/ou veterinários conhecedores de cinofilia e experientes no assunto), fujam desses 'comerciantes de cães' que cobram valores baixos nos seus filhotes para ganhar mercado perante os leigos e não tomem decisões precipiadas e por impulso, pois o arrependimento depois é grande e quem mais vai sofrer com isso é o cão, que muitas vezes vai ser deixado de lado ou abandonado.
Um cão é um ser vivo que vai conviver com a gente por pelo menos 10 anos, necessitando de cuidados de higiene, alimentação, ambiente e saúde, o que custa dinheiro, portanto tudo isso deve ser bem analisado antes da aquisição, para que fiquemos preparados apenas para receber todo o carinho, fidelidade e companheirismo que um cão nos oferece.

domingo, 11 de abril de 2010

Salmonelose

Salmonelose é a doença causada por uma enterobactéria chamada Salmonella spp, que se instala nas células de determinada parte do intestino causando diarréia e outros muitos sintomas; pode acometer o ser humano, cães, gatos, aves, suínos, bovinos, equinos etc. A sua transmissão é fecal-oral, principalmente; sendo uma zoonose (transmissão do animal para o ser humano) ela tem grande importância em saúde pública, acometendo principalmente crianças e pessoas imunodeprimidas.
Os cães e gatos muito raramente apresentam a doença clínica, ao contrário do ser humano, suínos e aves. Os animais domésticos que tem maior importância na transmissão da Salmonella são os répteis iguanas e tartarugas, principalmente as de água, que eliminam a bactéria nas fezes, mesmo não apresentando nenhum sinal de doença.
A transmissão pode ocorrer também por alimentos contaminados, principalmente ovos cru ou mal cozidos ou até pela água - recomendo lavar bem os alimentos como frutas e verduras, evitar carnes e ovos mal cozidos, lavar bem as mãos antes de se alimentar e após manipular répteis e aves.
Os sintomas podem ser diversos, desde diarréia e vômito até artrite e meningite, que acomete muito crianças.
O diagnóstico pode ser firmado atravéz de sorologia e outros exames realizados a partir das fezes, juntamente com um bom exame clínico e sintomas apresentados.
O tratamento é feito com antibióticos específicos e medicações suporte.
Já a resposta ao tratamento é muito variável, alguns pacientes respondem bem, já outros podem vir a óbito; essa resposta depende de uma série de fatores relacionados com a bactéria e o paciente.
Mais uma vez cabe lembrar a tamanha importância da higiene correta no nosso dia a dia, principalmente quem tem em casa os répteis citados acima. Jamais deixem os cães, gatos e crianças tomarem a água em que ficam as tartarugas, pois elas estão sujas de fezes que podem ter Salmonella.

domingo, 14 de março de 2010

Hepatopatia canina

Eu resolvi escrever um pouco sobre esse tema porque hoje faleceu um paciente meu idoso com hepatopatia crônica, foi muito triste pois ele era muito querido pela família, mas o importante é que conseguimos proporcionar uma excelente qualidade de vida desde o aparecimento da doença (que surgiu por tumores no órgão) até o finalzinho da sua vida.

Bom, a hepatopatia (doença do fígado) leva o paciente a uma insuficiência hepática que é a degeneração de células do fígado causando a sua insuficiência e conseqentemente o órgão não executa mais a sua função, totalmente ou parcialmente. Ela pode ser aguda ou crônica.

A insuficiência hepática aguda normalmente está ligada com um agente agressor, seja uma intoxicação alimentar ou por plantas tóxicas, por exemplo, ou por bactéria, vírus ou protozoário, por exemplo. Já a crônica está mais ligada com processos de degeneração pela idade avançada e tumores no fígado, por exemplo.

Os principais sintomas são náusea, vômito, diarréia, anorexia, apatia, emagrecimento, ascite, dentre outros.

O diagnóstico é feito, principalmente, por exames de sangue, como função hepática, por exemplo, exames de urina e exames de imagem, como raio-x e ultrassom, além do histórico do animal e exame clínico realizado por um médico veterinário.

O tratamento se baseia em tratar causas primária e/ou manter a função do órgão para deixar o animal livre dos sintomas citados anteriormente. Infelizmente, quando o órgão perde quase todas as suas células e não realiza mais nem um pouco da sua função, o quadro se torna incompatível com a vida. Cabe lembrar que a alimentação é de extrema importância no controle das doenças do fígado.

O prognóstico é bastante reservado e individual, dependendo da resposta de cada paciente. O mais importante é procurar o melhor caminho para oferecer uma boa qualidade de vida ao cão, mesmo quando a doença é crônica e não apresenta cura, apenas controle.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Missão humanitária...

Recomendo este blog:

http://www.einstein.br/blog-einstein-no-haiti/Paginas/einstein-no-haiti.aspx

Trata-se do dia a dia de uma equipe do Hospital Israelita Albert Einstein que está no Haiti para ajudar as vítimas dos terremotos. Muito bacana a iniciativa do Hospital e dos membros da equipe, estão de parabéns!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dermatite seborreica em cães

Conhecida como seborréia canina, essa dermatopatia é caracterizada por uma série de transtornos na camada córnea da pele que alteram a produção de sebo e queratina. Ela é classificada como seca, oleosa ou mista, podendo ser primária ou secundária a alguma outra patologia, seja de pele ou não.
A seborréia primária é mais comum em determinadas raças predispostas, como por exemplo, Teckel, Beagle, Cocker Inglês, Retriever do Labrador etc.; o fator hereditário ainda é muito discutido nesses casos. Já a secundária, pode ter como causa outra dermatopatia (atopia, por exemplo), doenças hormonais (hipotireoidismo), dentre outras patologias metabólicas.

Os sinais clínicos mais evidentes são: excesso de oleosidade ou ressecamento da pele, descamação (caspa), pelame opaco, sem brilho e queda de pêlos acentuada; o prurido (coceira) pode estar presente ou não.

O diagnóstico é feito através do exame clínico detalhado, podendo ter o auxílio de uma biópsia de pele ou não; demais exames podem ser realizados procurando causas para um processo secundário. Cuidado, principalmente aos clínicos veterinários, pois essa dermatopatia pode se apresentar com lesões semelhantes a lesões clássicas de outras doenças de pele corriqueiras no dia a dia da clínica dermatológica.

O tratamento na doença primária é para controle, não existindo cura definitiva; já na secundária, os sintomas normalmente desaparecem quando controlada a causa base. Utilizamos medicações tópicas, orais e na forma de shampoos. Uma alimentação de qualidade é fundamental para manter a saúde da pelagem.

Aos proprietários de cães, tenham paciência, pois doenças de pele demoram muito tempo para se curarem e os tratamentos são bem trabalhosos. O importante é ter um Veterinário de confiança e não desistir no meio do caminho.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Quero desejar a todos um Feliz Natal e um ótimo 2010!

Abraços,

Daniel Lima

domingo, 13 de dezembro de 2009

Convulsão em cães

A convulsão é definida como uma atividade anormal do cérebro, desencadeada por um grupo de neurônios com descargas elétricas alteradas, que ainda nos traz muitas dúvidas, na medicina humana e veterinária, quanto à sua fisiologia e origem.
Em cães, as crises convulsivas ocorrem com certa frequência e podem ser primárias, que são chamadas de epilepsia, ou secundárias a diversas causas, como por ex., doenças renais, hepáticas, cardíacas, traumas cranianos, intoxicações, câncer etc.
Os sintomas normalmente se resumem à perda ou alteração de consciência, tremores musculares, mioclonia (contração muscular brusca, involuntária e de brevíssima duração, que pode ser restrita a um grupo de fibras musculares, envolver todo o músculo ou um grupo deles), micção e defecação.
Uma vez diagnosticada a convulsão, deve-se realizar exames de imagem e de sangue acompanhados por um Médico Veterinário para tentar descobrir a existência ou não de alguma causa pré-existente.
O tratamento se baseia na cura das causas pré-existentes ou, na ausência destas (epilepsia), com o uso de medicações anticonvulsivantes e de suporte.
Cabe lembrar que a epilepsia pode ter fator hereditário, portanto devemos afastar da reprodução animais com esse mal. Check up médico de rotina orientado por um Veterinário de confiança ajuda em se diagnosticar antecipadamente causas pré-existentes.